Uma Mistura de Música, Poesia e Teatro
“O Teatro Mágico torna possível que cada um se mostre como é, que cada verdade interna seja revelada. Essa é a grande brincadeira, "ser o que se é, afinal todos somos raros e temos que ter consciência disso" , destaca."
O ano é 1971, tempos em que Charles Manson é condenado a morte e seus seguidores à câmara de gás, cerca de 500 mil pessoas marcham contra a Guerra do Vietnam em Washington, a sociedade se bate e rebate sobre formas de reeducação social e a violência gereralizada, é lançado Laranja Mecânica dando uma, como chamamos, chicotada psicológica.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
“Conta a história da garota Amélie que se engaja na realização de pequenos gestos a fim de ajudar e tornar mais felizes as pessoas ao seu redor. Ela ganha aí um novo sentido para sua existência. Em uma destas pequenas grandes ações ela encontra um homem por quem se apaixona à primeira vista. E então seu destino muda para sempre..."
“Garden State é um filme simples, aparentemente banal mas profundo e consciente, cheio de significado e pequenos grandes momentos os quais são acompanhados por uma banda sonora fantástica, escolhida a dedo por Zach Braff, cheia de temas indie/pop/chillout, (Zero 7), (Cold Play), (Thievery Corporation), (The Shins), entre outros, que encaixam na perfeição com o enredo."
Chuck Palahniuk
“Chuck Palahniuk é um dos melhores autores da atualidade, responsável por sucessos como “Clube da luta”, “Cantiga de ninar” e outros.Chuck Palahniuk é um escritor residente em Portland, Oregon. O seu trabalho mais popular é Fight Club( Clube da Luta), que foi posteriormente adaptado para cinema."
Fada
Tinha tudo para não ser nada, nada além de simples
Seu olhar demonstrando timidez
Sua inocência exalada nos primeiros atos como uma primeira vez
Mas é do acalento que não me esqueci ainda
Do calor do seu beijo,
E da intensidade do seu desejo
Vinho e Prazer

Dizem que inspiração vem nos momentos mais inesperados, e acabo de confirmar a veracidade dessa afirmação. Descobri também esse fim de semana que não se deve confiar em ninguém, como dizia um dos grandes poetas suburbanos desse país “a confiança é uma mulher ingrata, te beija e te abraça te rouba e te mata”. Mas disso eu já sabia então não vou comentar sobre o ocorrido. Mas voltando a inspiração, hoje estava eu chegando em casa quando vi um casal de animais em seu momento sublime e parei para contemplar. Quanta sinceridade morava ali, sim, sinceridade mesmo, eles se conheceram no meio da rua, não sabem do passado um do outro, sequer sabe a raça, e sem muito papo se deliciaram no prazer simultâneo, ali no meio de todo mundo, sem importar quem olhava ou deixava de olhar.
Nós somos tão estranhamente evoluídos. Dois seres irracionais simplesmente fazem o que tem vontade, nós não, nós precisamos de todo um amontoado de pudores e cortesias. Disfarçando o desejo carnal em uma enorme mentira melancólica, para que só no final, com a ajuda de vinho e flores, ainda mantendo a ilusão de que isso é apenas um complemento e não objetivo principal, e nos deliciemos na loucura do prazer. Somos tão mentirosos e falsos, movidos por um pudor tão falido e ineficiente, usamos roupas a fim de esconder defeitos que não temos e tentar ser quem não somos.
E esse medo de falar em sexo? Prazer! Orgasmo! Li uma vez sobre algumas seitas que cultuam o sexo. Faz bastante sentido, só existe um momento onde qualquer ser humano esquece-se de qualquer problema, qualquer ambição, os ricos ficam humildes, os humildes ficam ricos, os feios ficam bonitos, os bonitos ficam feios, não existe aluguel atrasado ou cansaço, não existe fome ou sede, nem sequer consegue-se pensar na sua mãe que morreu ontem, ou no que você vai fazer amanha ao acordar. O orgasmo é mesmo divino, é a glória dos que não reinaram, é o ápice do prazer. E aí não é difícil entender porque esse momento dura tão pouco, afinal, tente só uma vez fazer uma coisa simples como brincar naqueles brinquedinhos pedagógicos de colocar o quadradinho e a bolinha no buraco no meio de um orgasmo e vai descobrir o quão ineficiente você pode ser.
Zucas Odes Minimas
Não falo em amores, falo em dores
Falo em loucuras, dissabores
Sou feito poeira ao vento, sou instável
Não tenho moradia fixa, não sou palpável
Sinto-me vivo novamente, regredi do costumeiro
Em busca de novas aventuras, um mero forasteiro
Aqui um vôo termina
Outro vôo se inicia
prefácio de uma nova vida
Embriaguei-me nessa paixão
e o que restou foi o escopo da ressaca por ela deixada
Eis mais um filho do momento
Pois onde morre um amor
Renasce um poeta
Vou Me Lembrar de Você
Sucumbida entre a branquidez da neblina
caminha ela minha doce menina
Senti o leve toque do seu labio por mim antes intocado
E o calor do seu corpo junto ao meu num só afago
Sem repreenção, sem pestanejar, momento construído feito filme ou novela
Embriague-me em seu corpo e ouvi um leve gemido de donzela
E no seu jeito de dizer não, algo que talvez eu nunca vou esquecer
Quero-te mas não posso te querer, não agora, preciso te dizer
E em quanto a água quente caía nos gravando em memória
Percebi que já não faz parte apenas de meus sonhos
mas também da minha história
A Vila
Bom como todos deve estar sabendo no dia 29 de Maio de 2008 foi encontrada uma nova tribo indígena na floresta amazônica que segundo a FUNAI nunca tiveram contatos com a civilização
Fonte: http://port.pravda.ru/news/cplp/29-05-2008/22970-acredescobertaindios-0
Difícil imaginar um mundo tão puro, tão virgem. Nascidas e criadas longe do barulho ensurdecedor das vidas corriqueiras, de anônimos urbanos que se cruzam, mas não se notam. Longe do vírus da mídia são meros seres inocentes, animais livres. Eles sim são o que sobrou do mundo saudável, livre do merchandising de massa. Somos meras máquinas programadas pela mídia, uma doença transmissível da mais letal forma, hipnotizados pela TV, enfeitiçados pela rádio, não há para onde fugir, a cada beco,a cada esquina, somos bombardeados pela mídia.
Livre-arbítrio.Temos realmente isso? Ou Deus dita e determina tudo o que fazemos, dizemos e queremos? Temos livre-arbítrio? Ou a mídia e a cultura de massa nos controlam, junto com nossos desejos e atos, desde que nascemos?
Será que eu quero realmente uma casa grande, um carro veloz e centenas de parceiras sexuais lindas? Realmente quero essas coisas? Ou sou treinado para querê-las?
Essas coisas são realmente melhores que as que já tenho? Ou simplesmente fui condicionado para ficar insatisfeito com o que tenho agora? Será que estou sob um feitiço que diz que nada é bom o bastante?
Esse é nosso mundo, que após centenas de anos de evolução hoje não passa de uma grande gaiola, e nós cobaias de um vírus implantado. É a cultura de massas que nos infecta como um berne, como um câncer, do início ao fim de nossas fúteis vidas..
Funcionário do PROCON
São pessoas de todos os tipos, com uma coisa em comum, a inocência. Procuram-me e dizem:
- Devo R$2.000 ao banco e ele não quer parcelar minha dívida. Eles têm o direito de fazer isso?
É lógico. Você que não tem o direito de comprar o que não pode pagar. Mas isso eu não digo. Só penso.
Eu digo:
- Podemos entrar com um pedido de renegociação da pendência para que facilite o pagamento.
Os bancos sempre aceitam, sempre facilitam o pagamento desses viciados em consumo, esses bastardos de butique. Não por dó, empresas grandes são tão sentimentais como uma bola de pus seco no chão de um hospital público. Os bancos simplesmente sabem que alguém que deixou uma dívida de R$500 chegar a R$2.000 por juros e multas não será capaz de pagar de uma só vez, sabem que após 5 anos a dívida prescreve e quem devia R$2.000 não deve mais nada. E mesmo os sem sentimento concordam que é melhor receber pouco todo mês a nunca receber nada.
Se você contrai uma dívida e não paga mesmo após 3 anos de nome sujo o banco é capaz até de te dar um desconto de 50% sobre ela para que você pague alguma coisa antes da prescrição. Ele sabe que ou é isso, ou nada.
Prestações. 10 vezes sem juros! Como se isso fosse uma grande vantagem. Prestações nada mais são que sofrimento prolongado. É a ilusão proporcionada a escravos do consumo de poderem comprar aquilo que não podem.
Pessoas me procuram assustadas e dizem:
- Minha conta de celular veio R$240, 00 recebo menos de R$600,00 não posso pagar isso de uma vez só.
O que faz uma pessoa que mal consegue pagar as contas de serviços essenciais falar 1.500 minutos em um aparelho celular? Não precisa ter uma atividade cerebral muito avançada para saber que isso é no mínimo ridículo. Mas isso eu não digo, só penso. Digo que podemos entrar com o pedido de revisão da conta e parcelamento da pendência para que assim facilite o pagamento.
Pessoas me procuram com o olho roxo e dizem:
- Vim ao PROCON fazer uma denúncia
- Pois não?
- É meu marido. Vem me batendo muito ultimamente.
Eu diria que ela não veio ao lugar certo.
Eu diria que não há relação de consumo no ato, diria que ela precisa ir até a delegacia fazer uma denuncia. Mas ela não me deixa falar, nem sequer pensar direito. E então uma lágrima escorre em sua face esfolada, e começa a relatar toda a sua trajetória de vida dês de o casamento até hoje após 15 de abuso, e isso levou uma hora e meia. Não que tenha algo a mais de marcante em sua vida que não seja isso. Se fosse contar sua história de vida em um livro o título seria “15 anos trabalhando e apanhando” e o livro não teria conteúdo, o título já diz tudo, sua história não merece mais que 5 palavras. E aí surge mais uma das características lamentáveis do ser humano, essa necessidade de desabafar, de sentir que alguém se importa com você, mesmo que por alguns minutos. E ela não pode fazer isso em uma simples frase, cada palavra é um peso a menos, e isso leva horas.
Sinto como se uma hora e meia da minha vida fosse-me tirada sem nenhuma recompensa, como fumar um maço de cigarros sem sentir prazer algum.
Ao fim da história minha vontade era dizer para que matasse seu marido e a si mesma seguida. Mas isso eu não digo, só penso.
A cinco anos atrás ter um cartão de crédito era luxo. Exclusivo para quem realmente dispunha de grande patrimônio, símbolo de status social. Mas é como uma arma de destruição em massa em faze de teste. Rapidamente foi se espalhando pelas classes sociais até chegar aos “desfavorecidos” ou popularmente conhecidos como miseráveis. Esses sim deveriam ter mais privilégios em bancos, são eles que os sustentam. Os grandes bancos vivem de juros e multas. Aí é simples entender como funciona, ou você já viu um milionário pagando juros de atraso ou multa por falta de pagamento? Grandes bancos são enriquecidos pela mais baixa classe social. Lapidando cascalho.
Aprende-se muito em um trabalho como esses. Se você compra um produto na internet como uma televisão de
Quanta falta faz...
Falta inocência nos meus sonhos, na vontade de voar
Falta nostalgia da infância, uma criança a brincar
A falta daqueles dias, daquele tempo
Que dinheiro era bala, e a vida era doce
Sobra tanta falta que nem lembro mais
A falta que faz não se importar, não querer saber
esquecer os problemas, brincar de viver
Quanta falta a falta faz
Adeus de Irmão
E de repente ela vem,
Leva quem fomos leva quem somos,
Leva nossas dores nossos sonhos,
Não há como negar que é na vida que acreditamos,
É o que queremos para quem amamos,
Esquecendo que ela não passa de intervalo entre nascimento e morte,
Entre a alegria e a falta de sorte.
Vais agora não como quem perdeu a vida,
Mas como quem teve seu nome eternizado pela morte.
Heróis não morrem, apenas deitam e assistem de longe o reinado que construíram
Não com cimento e tijolos, mas com bondade e carisma.
Conquistaste o mundo meu irmão
Viveste cada dia como se fosse o ultimo.
Para quem nunca demonstrou maldade,
Assim deixa este mundo injusto,
Inocentemente puro.
E a cada manha que virá,
O mundo amanhecerá em prantos,
Por saber que te levando irmão
Ele perdeu um pedaço de bondade.
O Lixeiro
O Blog se chama Grunge, o Peixe e não sei quem é o autor...
este é o link:
http://grungeopeixe.blogspot.com/
E este é o Texto:
O Lixeiro
Imbecis!
Bando de babacas frustrados...
Eu sei o valor do meu trabalho. Fazemos aquilo que ninguém quer fazer. Paramos de trabalhar por uma semana e, se você mora numa metrópole, terá que escalar montes de sua própria porcaria para sair de casa.
O mundo gera 30 bilhões de toneladas de lixo por ano.
O país em que vivo gera 140 mil toneladas de lixo por dia.
Dizem que estamos na Era Digital. Eu digo que estamos na Era do Lixo. Na Era em que sobram coisas inúteis. E somos nós que estamos lá pra dar conta do recado. Pra que você não se afogue em sua própria imundície.
Eu realmente gosto do que faço. Não fico preso a uma merda de escritório, achando que o mundo cabe na tela de um computador, com a bunda amortecida, sentada numa cadeira de couro.
Alguém tem que fazer algo com as vísceras dos animais que oferecem o couro para estofar o banco dos seus automóveis.
Isso é o que mais fede. Pode acreditar. Chamam de necrochorume. É um líquido que escorre da carniça no período de putrefação. Aquele cheiro desgraçado é por causa da cadaverina, uma diamina (C5H14N2) que também é parcialmente responsável pelo cheiro do sêmen e das infecções vaginais. Mesmo num aterro, no meio de todo aquele fedor, você consegue distinguir o cheiro da cadaverina.
Você deve conhecer o chorume normal. É aquele líquido que escorre do caminhão de lixo, que faz você prender a respiração quando passamos por você.
O chorume é um efluente complexo que contém compostos orgânicos (ácidos orgânicos, substâncias húmicas, solventes, alcoóis, fenóis, compostos aromáticos, pesticidas, entre outros), metais potencialmente tóxicos (Cd, Zn, Cu, Pb) e muitos outros íons2: NH4+, Ca2+, Mg2+, K+, Na+, Cl-, S2-, HCO3-, etc. (BERTAZZOLI, 2005).
Aposto que você deve estar assustado por eu saber disso, sendo um lixeiro. Não se sinta culpado, o preconceito é muito mais enraizado do que admitimos.
Perto da cadaverina, chorume tem fragrância de "Le mâle” ou “Channel n 5”. É interessante a relação das pessoas com o cheiro. Se você fede, você é discriminado.
Um frasco da linha “Imperial Majesty”, do perfume "Nº 1 for Women" custa 200 mil dólares. Eu teria que trabalhar uns 10 anos inalando fedor pra comprar um frasco dessa porra. Não estou julgando ninguém. Cada um faz o que quer e pode.
Uma vez um velho me pediu pra juntar um pouco de chorume pra ele.
Tinha ouvido que aquilo era cheio de vitaminas. Que fazia bem pros ossos e pro sangue.
Eu sabia que não tinha fundamento. Mas se ele quer tomar chorume, ele tem esse direito.
Entreguei um frasco pra ele, cheio com o líquido. Não era difícil pra eu conseguir.
Ele bebeu um gole na minha frente. Todo o tipo de loucura acontece com muito mais freqüência que você imagina.
Você pode conhecer as pessoas através de seus lixos. Pode saber quase tudo sobre elas. A classe social, os gostos, a opção sexual, suas frustrações, seus desejos...
Você pode saber se elas tem hemorróidas ou insônia.
Se jantam lagosta ou macarrão instantâneo.
Se elas se entopem de benzodiazepínicos ou heroína.
Se tomam chá verde ou se aplicam morfina.
Freud estudava o inconsciente das pessoas. Eu estudo seus lixos. Dá quase na mesma.
Prendi um gancho metálico na parte interna do caminhão. Quando quero conhecer mais uma pessoa de uma determinada casa, prendo o lixo dela sempre ali. No final do expediente, levo o lixo embora e o estudo com cuidado.
Me dê um mês com o seu lixo e te conheço melhor do que sua mãe.
Com o tempo, você pega a manha. Só de pegar o saco você já sabe se é lixo do banheiro, da cozinha, do escritório...
Geralmente os do escritório são os que guardam mais informações, mas isso não é regra.
Você pode se surpreender muito examinando lixos.
Uma senhora viúva, de 70 anos, com uma vasta coleção de vibradores. Você nem sonharia com isso vendo ela na missa.
Um padre que coleciona armas de fogo. O sujeito tem um verdadeiro arsenal.
Um lixeiro de 30 anos, viciado em literatura russa. Você não diria isso se visse ele pendurado no caminhão. Esqueci, você nunca olha pra ele.
Você pode encontrar carteiras com muita grana dentro de um saco de lixo. O cara está ansioso, tem uma reunião importante. Resolve fumar um cigarro. Apanha uma caixa de fósforo. O celular toca, ele atende e pega a carteira pra digitar o número do CPF. Acende o cigarro, desliga o telefone e joga fora a carteira em vez da caixa de fósforos. Só vai se dar conta disso no meio da reunião. E se o caminhão de lixo já passou, então, já era.
Um conselho, sempre use luvas pra examinar o lixo do banheiro.
O último caso que estudei, foi o lixo de uma verdadeira mansão.
Um advogado divorciado. Mesmo que o cara tenha grana pra contratar empregada, você sempre encontra embalagem de comida de microondas no lixo de divorciados. Em se tratando desses sujeitos metidos a importantes e ocupados, quase não tem erro. Eles acham que comer e cagar é desperdiçar tempo.
A próxima revolução da indústria vai ser criar um produto que faça você cagar rápido, na hora em que você quiser, sem perder tempo se limpando e sem os efeitos colaterais dos laxantes.
Crie um produto desses e o Viagra vai parecer gengibirra comparada à Coca-Cola.
Estudei um mês o lixo desse sujeito.
Viciado em anfetaminas. Nada de incomum. Vasta coleção pornográfica. Natural. Comprador de instrumentos sado-masoquistas. Se você conhece o lixo das pessoas, isso não chega a ser estranho.
Um dia encontrei fotos dele com uma cabra. Natural, se for no rancho onde passa o fim de semana. Excêntrico, se for num quarto de motel. Zoofilia. É assim que chamam isso.
Os psicanalistas dizem que não nascemos com um objeto sexual pré-determinado. Homens não nascem necessariamente gostando de mulheres e vice-versa. O objeto sexual pode ser qualquer coisa; não apenas seres vivos. Alguém pode escolher uma máquina de lavar como o seu objeto sexual, por exemplo. É isso que eles dizem.
Não estou nem aí se o cara quer se divertir com uma cabra. Estou examinando o lixo dele há apenas uma semana e já o conheço mais do que sua própria mãe.
Uma semana depois volto a encontrar fotos dele num motel. Mas ele já não está mais com cabras. Dessa vez, são fotos com meninos e meninas. Não sou bom em presumir idade, mas diria que tinham entre 10 e 13 anos. Pedofilia. É assim que chamam isso.
Não importa se você lê Freud, Reich ou Lacan. Tive uma criação católica e algumas coisas pra mim sempre parecerão simplesmente safadeza. Alguns conceitos estão muito interiorizados para se desfazer deles um dia.
O cara é uma imundície. Um monte gigante de merda. E, oportunamente, eu sou um lixeiro.
Pensei em várias formas de fazer a coisa. Me dê um disquete e o material certo e posso fazer seu computador explodir. É verdade. Você pode até se negar a acreditar, se pensa que isso o faz se sentir mais seguro.
Ponha o disquete num envelope, junto com um bilhete escrito: “Conheço o seu segredo”. Basta um pouco de sorte e o problema todo já está resolvido.
Não foi assim que fiz.
Juro que não.
Mas, de qualquer forma, a essas horas, aquele porco deve estar em algum lugar do aterro, produzindo necrochorume. Exalando cadaverina. O fedor lembra a morte. Talvez seja por isso que as pessoas discriminam quem fede. Talvez seja meio inconsciente.
Sou lixeiro. Levo o lixo da cidade para algum lugar distante, onde as pessoas não possam sentir o cheiro de suas próprias imundícies.
Sabe de uma coisa, no meu país não ganho mal pra fazer isso. E gosto do meu trabalho.
Ao ar livre. Sim, respirando podridão, mas uma hora você se acostuma.
Não preciso gastar dinheiro com academias, correndo em esteiras. Corro alguns quilômetros por dia.
Suba no caminhão e exercite o quadríceps e um pouco da panturrilha. Apóie-se na barra para não cair, e exercite um pouco de tríceps, ombro e grupo dorsal.
Para se ter um trabalho de verdade, é preciso que você chegue em casa com o corpo cansado. Durma um sono longo e tranqüilo. Por isso a maioria das pessoas sofre de insônia hoje em dia.
Sou lixeiro. É isso que faço. Carrego para longe suas imundícies, para que você possa esquecer delas.
Você não me conhece. Sou um anônimo pra você. Você torce o nariz quando passo.
Mas me de um mês com seu lixo, e te conheço melhor do que sua mãe.
Chuck Palahniuk - "Tripas"

Chuck Palahniuk é um dos melhores autores da atualidade, responsável por sucessos como “Clube da luta”, “Cantiga de ninar” e outros. Esse texto foi publicado no livro “Haunted”(ASSOMBRO) que indico a todos assim como suas outras obras que já li.
*Clube da Luta
*Cantiga de Ninar
*Sobrevivente.
35 pessoas desmaiaram ao ouvir a leitura desse texto por Chuck Palahniuk para o público americano.
“GUTS”
Inspire.
Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre “fio-terra”. Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.
Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.
Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.
Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.
Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.
Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.
Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.
Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.
As pessoas na França possuem uma expressão: “sagacidade de escadas.” Em francês: esprit de l’escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa….
Enquanto você desce as escadas, então - mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora.
Esse é o espírito da escada.
O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.
Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.
Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer… melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.
Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, na qual o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os faziam gozar melhor. De forma mais intensa.
Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.
Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.
Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.
Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.
Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.
Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos. Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.
O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.
Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.
Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.
O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows.
Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais expesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.
O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmãos mais velho da Marinha escreveu.
No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.
Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.
Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.
O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d’água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.
Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.
Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.
Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando a luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas nais quais você não se preocupa que te pegam.
A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.
Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cú chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.
Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.
Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmão no balé. Ninguém estará em casa por horas.
Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo.
Faço isso de novo, e de novo.
Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cú sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.
E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.
Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.
As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.
Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.
As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás… mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.
Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.
Então… eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cú. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentido a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.
Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.
Ver essa pílula foi o que me salvou a vida.
Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.
Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.
O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.
Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma.
Deus proíba que meus pais vejam meu pau.
Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.
Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre um camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d’água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.
Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.
Você então vê contra o que eu lutava.
Se eu largo, sai tudo.
Se eu nado para a superfície, sai tudo.
Se eu não nadar, me afogo.
É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.
O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na árgua turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.
Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.
Algo sobre o qual nem os franceses falam.
Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos “Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça…,” os russos dizem, “Preciso disso como preciso de dentes no meu cú……
Mne eto nado kak zuby v zadnitse.
Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.
Droga… mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.
Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cú. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.
Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.
É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, “Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque.” E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.
Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim….
Precisava disso como precisaria de dentes no cú.
Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.
Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.
Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, “Aquela porra daquele cachorro era maluco.”
Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, “Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo….”
E então a menstruação da minha irmã atrasou.
Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram mais isso novamente.
Nunca.
Essa é a nossa cenoura invisível.
Você. Agora você pode respirar.
Eu, ainda não.
P & B
Hoje sentado em uma mesa de bar rodeado de amigos ouvi aquela música que um dia cantei para você, e de repente me vi projetando em minha mente nossos momentos, como aquele dia em que deitados na laje chapados olhando o céu e admirando a beleza do infinito, conversando sobre minha descrença em tudo e seu jeito lindo de enxergar o mundo. Ausentei-me por completo daquela mesa até que alguém me despertou com um estalar de dedo perguntando-me o motivo daquele sorriso estampado na cara sobre o qual aleguei ser apenas excesso de álcool.
Acho que se pudesse apagar-lhe de minha memória não o faria mesmo acreditando ser mais conveniente, pois são elas que ainda me enchem os olhos d’agua.
Lembranças não podem ser revividas, no máximo renovadas, e quando não há mais esperanças de renová-las, vivemos assim em preto e branco.
Orquídea

Bom, na verdade sou apaixonado é pela expectativa,
Pelo frio na barriga e o arrepio do primeiro beijo.
A verdade é que nossos sonhos acabam no momento em que são realizados, o que é evidente uma vez que vivemos deles, temos que renová-los constantemente.
Ela me ensinou que somos movidos pelos nossos sonhos, mas sem querer me mostrou também que não faço parte dos seus sonhos, bom, não do modo que pretendia.
Para ela sou como aquela musica naquele antigo CD guardado ao fundo da gaveta, que às vezes agente tira e ouve só para sentir nostalgia, e então voltamos a guardá-lo.
Feito Orquídea, que espera pacientemente o ano todo para mostrar a mais bela das flores por apenas um mês.
Cena final do filme Garden State
Um filme excelente, e que está aqui por um motivo especial é claro....
Depois de tempos você voltou, como disse que voltaria,
Depois de preces retornou e sem cogitar se valeria,
Nos meus braços sinto novamente seu calor
Seu gosto me trás lembranças do antigo ardor
Nostalgia pura de relances passados,
Que agora se repetem e amores recém consumados
Lembro-me de ontem como duas crianças a contemplar o universo
De tempos que passaram que agora repito em verso
Fomos um passado incompleto
E agora presente de um futuro incerto
Lembranças de uma Quase Vida

O dia se fez noite em meio uma madrugada de espinhos
Em pura insipidez mergulhei a fundo no que já não era real
E de tão preocupado com a morte acabei por não viver
E por tanto amor ao ódio acabei por não amar
Por tão fiel ao correto acabei por não dar proveito a nada
De tão calculista, acabei por não me arriscar
De tão real, hoje já nem existo
E já não me encontrará em lugar algum
Sou as lembranças de uma quase vida
Venho para lhes dar meu parecer sobre ela:
Não se contente em simplesmente existir
Viva!
De vez em quase nunca

Confesso que venho escrevendo demasiadamente sobre meus sentimentos,
Quem diria eu escrevendo sobre algo que não conheço por inteiro,
Mas a partir de agora prometo tentar pensar em talvez não lembrar-me dela,
Escrever sobre minha vida talvez, ou sobre o vento que adentra a janela em uma simples tarde de outono,
Qualquer coisa que seja simples e bela, não tanto quanto aquela, não como ela.
Tentar ser algo distinto, diferente.
E como é difícil me livrar dessa cancela que me leva a ela,
Livrar-me desse medo de tentar pensar em talvez achar um espaço que não seja dela.
E de vez em quase nunca chego a nem sentir sua falta.
Já não penso nela o tempo todo, apenas quando paro para pensar.
E sem querer lembro-me do beijo na testa, ou do olhar que dizia muito mais que a tentativa dela de ser o que não era.
Intenso foi o que vivi com você, agora apenas me sustento, como aquele que perde o prazer de degustar, e come apenas para manter-se vivo








